Expectativas sobre o empreendedorismo

Para fazer uma reportagem, sempre há muitas pesquisas e, por limitações de espaço, nem sempre conseguimos compartilhar tudo que apuramos com você, leitor. Por isso, vou usar este espaço hoje para trazer alguns dados que complementam a reportagem “Pequenos negócios, grandes resultados”, publicada na última edição da Saúde Business.

Minha primeira constatação, após conversar com algumas fontes e ler diversos estudos e pesquisas, é que aventurar-se no mundo dos negócios no Brasil é um desafio e tanto!

De acordo com o Sebrae, nada menos do que 78% dos empreendimentos de pequeno porte naufragam em até dois anos, seja por inexperiência do empreendedor, mudanças na economia, entraves na regulação ou qualquer outro cenário adverso. Só em janeiro, foram registradas 69 falências, sendo que 63 eram de microempresas e seis eram de empresas de médio porte.

A crise financeira, que começou em 2008, também deixou suas marcas: um estudo divulgado pelo Serasa Experian mostra que a oferta de crédito para as MPEs é restrita e pode ter impulsionado um triste indicador: dos 132 requerimentos de falência de janeiro deste ano, 68% foram feitos por MPEs, de acordo com o Serasa Experian.

Em minhas entrevistas, os empreendedores que conseguiram sobreviver a todos os obstáculos iniciais relataram esta baixa oferta de linhas de financiamento como um dos impeditivos ao crescimento. Os entrevistados consideram que as microempresas ainda conseguem algumas linhas, até como forma de movimentar a economia, já que muitos empreendedores individuais abriram seus negócios por terem perdido o emprego em algum momento (4,81 milhões iniciam seus empreendimentos por necessidade), mas as médias empresas parecem estar numa espécie de limbo: seu risco é considerado alto pelos bancos, elas não têm acesso às linhas diretas do BNDES e, consequentemente, acabam pagando altas taxas de juros quando recorrem ao sistema financeiro.

Sem capital, fica difícil investir em tecnologia, recurso essencial para as empresas da área de saúde. Talvez por isso o País esteja numa posição tão distante entre as nações que lançam produtos novos ou fazem grande uso de tecnologia, pela escala do Global Enterpreneurship Monitor (GEM – Monitor Global de Empreendedorismo): 42º lugar.

Mesmo assim, os donos de pequenos negócios continuam tentando sobreviver e inovar: a cada 100 brasileiros, 12 realizam alguma atividade empreendedora em estágio inicial, de acordo com o GEM, o que nos coloca em terceiro lugar entre os países do G-20.

A esperança e força de vontade destes empreendedores e a expectativa de bonança após a tempestade de 2008 tornam o cenário um pouco melhor para 2010, já que temos previsão de aumento de 5% a 6% do PIB, estabilidade econômica e projeção de investimentos estrangeiros de US$ 37 bilhões.

As pessoas que entrevistei para escrever esta reportagem se mostraram otimistas e saudavelmente ambiciosas: todos querem subir um degrau no que se refere ao porte e muitos têm metas globais, não apenas locais.

Minha conclusão é que o caminho para se ter negócios bem sucedidos por aqui é longo e tortuoso, mas o potencial do País, aliado ao nosso jogo de cintura e capacidade de superar as adversidades ainda vai nos colocar em posição de destaque no cenário mundial de saúde.

P.S.: Você também pode ler este post no meu blog no portal Saúde Business Web.

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