10 razões que fazem do aquecimento global um problema de saúde

Como muitos de vocês, passei estas duas últimas semanas acompanhando todas as notícias sobre o tumultuado encontro COP-15, a conferência para discutir o aquecimento global, realizada em Copenhague.

Também, como muitos de vocês, fiquei decepcionada com o resultado: não adiantou pressionar, fazer vigília, abaixo-assinado e nem reunir os presidentes das mais importantes nações do mundo. A COP-15 acabou com uma carta de boas intenções, sem compromissos formais e com mais discussões a serem retomadas no final de 2010, no México.

Os líderes mundiais ponderaram bastante sobre a relação meio-ambiente x desenvolvimento, mas pareceram esquecer que, em um mundo em que as temperaturas subam de dois a três graus e as geleiras comecem a derreter, os custos também terão um grave impacto econômico.

Para exemplificar, vamos ficar apenas nas 10 projeções para o nosso setor, feitas pela Organização Mundial de Saúde:

1)      A queima de combustíveis fósseis nos últimos 50 anos trouxe um grande aumento da quantidade de dióxido de carbono no ar, o que afetou o clima global. Como resultado, tivemos as mortes resultantes das ondas de calor (como a de 2003, que matou quase 15 mil idosos somente na França) e mudanças no padrão das doenças infecciosas;

2)      As mudanças climáticas levaram a uma ocorrência maior de tempestades, enchentes e furacões (como o Katrina, que devastou New Orleans em 2005). Além dos danos materiais, muitas vidas também foram perdidas. Um estudo da OMS mostra que, nos anos 1990, 600 mil pessoas morreram em consequência dos desastres naturais, 95% delas em países em desenvolvimento. De acordo com um estudo divulgado na COP-15, as mortes relacionadas com o clima trouxeram um prejuízo de US$ 15 bilhões em todo o mundo;

3)      A flutuação da temperatura é uma das possíveis causas do aumento de mortes por doenças cardíacas e respiratórias. Um estudo da OMS sugere que as temperaturas excessivas registradas em 2003 na Europa Ocidental foram responsáveis por 70 mil mortes a mais do que no mesmo período em anos anteriores;

4)      Alergias, especialmente as que se manifestam pelas vias respiratórias, também acontecem com maior frequência em temperaturas mais altas. A OMS teme pelo aumento das crises de asma, doença que hoje afeta 300 milhões de pessoas;

5)      O aumento do nível do mar, causado pelo aquecimento, pode provocar inundações e levar ao deslocamento da população: hoje, mais de metade dos habitantes do planeta vivem a até 60 km da costa. Além das mortes diretas causadas pelas inundações, o mundo também verá uma escalada nas doenças infecciosas transmitidas pela água;

6)      A mudança climática afetará a ocorrência das chuvas, causando inundações em algumas regiões e grandes períodos de seca em outras. A falta de água fresca já afeta 4 em cada 10 pessoas no mundo e, sem água para higiene e para consumo, as mortes por diarréia podem aumentar: hoje, 2,2 milhões de pessoas já morrem todos os anos em decorrência da doença.

7)      Com a falta de água, as pessoas vão cada vez mais longe para buscá-la e armazená-la. A falta de higiene na captação e armazenamento leva à contaminação e, consequentemente, ao aumento das doenças infecciosas;

8)      Doenças transmitidas pela água ou por vetores, como os mosquitos, estão entre as que mais causam mortes em todo o mundo: em 2004, 3 milhões de pessoas morreram de diarréia, malária e desnutrição por falta de proteína;

9)      O aumento das temperaturas e a falta de previsibilidade das chuvas vão afetar a agricultura e as colheitas, especialmente nos países pobres e em desenvolvimento (a maior parte deles em zonas tropicais), que já sofrem com a escassez de comida. Por isso, é esperado um aumento do número de mortes por desnutrição;

10)   E, para finalizar, uma coisa boa que pode ajudar a reduzir as emissões de carbono e melhorar as condições de saúde da população. As campanhas para estimular o uso do transporte público e, principalmente, para que as pessoas se locomovam a pé ou de bicicleta, reduzem não só a poluição e as emissões de carbono, como também melhoram a saúde pela prática de atividade física, o que reduz o risco de doenças cardiovasculares.

Esta lista já traz motivos suficientes para que todos, governo, sociedade e organizações privadas, coloquem o assunto em suas listas de prioridades. Enquanto os presidentes de todos os países do mundo se apegam a detalhes e criam uma série de entraves burocráticos para evitar um acordo, cabe, mais uma vez, à iniciativa civil e privada dar o exemplo.

Já conheço diversas ações na área hospitalar e na indústria de equipamentos, materiais e insumos que mostram a preocupação do setor da saúde com o impacto que suas atividades causam no meio-ambiente.

Meu desejo é que, no ano que está prestes a nascer, este “pensamento verde” se intensifique e que possamos, de fato, crescer de maneira saudável e sustentável.

P.S.: Você também pode ler este post no meu blog no portal Saúde Business Web.

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1 comentário

Arquivado em Política, Saúde

Uma resposta para “10 razões que fazem do aquecimento global um problema de saúde

  1. Menina, e essa neve louca no interior de São Paulo? Melhor nos prepararmos para coisas mais estranhas que virão por aí.
    #meda

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