Meça seu impacto!

Inspirada pela Conferência Mundial Sobre Mudanças Climáticas, que será promovida pela ONU em dezembro, em Copenhague, mas que já tem pautado os noticiários nacionais e internacionais não só sobre o aquecimento global, mas também sobre outras questões relacionadas ao meio-ambiente, fui atrás de informações específicas para o setor de saúde.

Em minhas buscas, encontrei uma ONG nos Estados Unidos que realiza um trabalho muito interessante, a Practice Greenhealth. O objetivo desta organização é engajar hospitais, operadoras, indústrias e outros players do setor de saúde em práticas sustentáveis do ponto de vista ambiental. Além de promover cursos e seminários e oferecer manuais de boas práticas, a Practice Greenhealth desenvolveu duas ferramentas curiosas, a Greenhealth Tracker e a Healthcare Energy Impact Calculator.

A Greenhealth Tracker ajuda a gerenciar os resíduos, priorizar metas para a redução do desperdício e até mesmo analisar os custos envolvidos com taxas e descarte do lixo hospitalar. Já a Healthcare Energy Impact Calculator mostra como a emissão de dióxido de enxofre, óxido nitroso e mercúrio pelas plantas de energia dos hospitais afeta a saúde de pacientes, funcionários e visitantes, estimando mortes prematuras, bronquite crônica, ataques de asma e entradas nas áreas de emergência causadas pelo contato com estes poluentes.

O impacto da escolha das fontes de energia é grande. De acordo com a ONG, um hospital de 200 leitos no Meio Oeste, que utilize carvão mineral como fonte de energia e gaste 7 milhões de KWh por ano, é responsável por um impacto negativo na sociedade e na saúde pública de US$ 1 milhão por ano e US$ 107 mil em custos diretos com medicamentos e assistência médica.

Achei a iniciativa de medir a pegada ambiental dos hospitais ótima e muito alinhada ao que se espera de instituições de saúde. Não é só uma questão de cuidar de flora e fauna, mas de responsabilizar-se pela parte mais importante das discussões sobre meio-ambiente: a saúde das pessoas.

Deixe um comentário

Arquivado em Saúde

A little too early…

Ok, I’m a little too late. O anúncio do Nobel da Paz foi na semana passada, mas eu só consegui escrever agora.

Achei totalmente precipitada a nomeação de Barack Obama ao prêmio. Ele é bem intencionado, já acenou com propostas mais equânimes para a resolução do conflito entre israelenses e palestinos, se preocupa com as mudanças climáticas, enfim, já mostrou que não é Bush Filho.

Mas…

Ainda não fez nada de concreto que o levasse a merecer o Nobel da Paz. Prestes a completar um ano no poder, Obama ainda não fechou a Base de Guantánamo (o prazo, estipulado por ele mesmo, acaba em três meses), fracassou na tentativa de obter um acordo definitivo de paz entre israelenses e palestinos, não conseguiu tirar as tropas do Iraque, não avançou o suficiente nos acordos para evitar que o Irã desenvolva armas nucleares e ainda está num dilema sobre enviar ou não mais 40 mil soldados ao Afeganistão.

Há apenas dez meses no poder, é arriscado dar-lhe um prêmio de tamanha magnitude, sem saber como serão seus próximos passos à frente da nação mais poderosa do planeta. O próprio laureado disse que estava surpreso com o prêmio e que considerava a vitória um estímulo para continuar seu trabalho, reconhecendo que, de fato, não tinha ainda uma grande ação executada para ser nomeado.

O comitê do Nobel se deixou levar por esta energia de popstar que acompanha Obama desde a campanha eleitoral e perdeu a chance de voltar os olhos do mundo para a América do Sul e o problema do narcotráfico: Ingrid Bettancourt, primeiro por ter sido opositora das Farc e depois por ter passado seis anos como refém, era, na minha opinião, o melhor nome deste ano.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Na prática, a teoria é outra

Embora seja consenso que a medicina preventiva deva ganhar mais espaço tanto no sistema privado quando no sistema público de saúde, alguns aspectos para sua implantação ainda pedem discussões mais profundas.

Assisti recentemente a uma discussão on-line muito interessante, promovido pela revista The Economist, em que os debatedores concordam que a prevenção é uma ótima ideia, mas pode não ser muito prática.

O diretor do Wolfson Institute of Preventive Medicine, Professor Sir Nicholas Wald, considerou importante adotar medidas como programas educacionais para mudar o estilo de vida das pessoas e campanhas de vacinação, mas condenou os pedidos excessivos por exames. “Devemos focar na natureza da doença e na prevenção precoce, para evitar mortes prematuras e incapacitação severa, mas evitar métodos que ainda não têm benefícios bem comprovados, como alguns tipos de screening, que podem até trazer riscos para o paciente.”

A efetividade das campanhas governamentais para a saúde em mídia de massa também foi questionada, mas não se descartou sua importância. “Estes anúncios não vão impedir as pessoas de continuar fazendo coisas que prejudicam sua saúde, como fumar ou ter uma alimentação inadequada, mas pelo menos iniciam os debates sobre temas importantes. Em 20 anos, podemos ter uma sociedade engajada em prevenção, o que pode melhorar a qualidade de vida e reduzir os custos do National Health Service (NHS) em até £ 30 bilhões no longo prazo”, avalia a pesquisadora do The King’s Fund, Tammy Boyce.

Por outro lado, o diretor da Progressive Vision, Shane Frith, condenou a interferência do governo nas questões relacionadas à prevenção de doenças e qualidade de vida. “O Estado não deve tomar uma posição de babá e dizer o que as pessoas devem ou não fazer. As decisões relacionadas à prevenção e qualidade de vida devem ser bottom-up, entre os pacientes e seus médicos, e não top-down e centralizadas em órgãos governamentais”.

A discussão ainda passou pelo risco do uso exagerado dos recursos de saúde na tentativa de prevenir doenças, o papel e a responsabilidade do paciente no cuidado com sua própria saúde e o retorno financeiro da medicina preventiva.

Vale uma olhada: http://w3.cantos.com/09/eiu-phil-904-2lfkf/index_archive_page.php (Em inglês. Cadastro requerido)

*Você também pode ler este post em http://www.saudebusinessweb.com.br/blogs/blog.asp?cod=121

Deixe um comentário

Arquivado em Saúde

Liberdade (?) de expressão

Num tempo em que a linha entre vida pública e privada, perfil pessoal e profissional, fica cada vez mais tênue, vale a pena discutir se as mídias sociais estão ampliando ou restringindo nossa liberdade de expressão e, mais do que isso, nossa liberdade de simplesmente ser.

Vejo no Comunique-se que os jornais Folha de S. Paulo e Washington Post, além da TV Globo, acabam de criar regras para restringir o uso de Twitter, Facebook e outras mídias por seus profissionais.

De acordo com o Washington Post, “Quando utilizamos ferramentas de mídia social para a reportagem ou assuntos privados, nós devemos lembrar que um jornalista do Washington Post é sempre um jornalista doWashington Post”.

Concordo em parte. As organizações, jornalísticas ou não, devem se preservar e também é dever do profissional zelar pela imagem da empresa em que trabalha, mas não acho que as corporações podem invadir e monitorar Facebooks, Orkuts, Twitters e Blogs de seus funcionários em nome de sua reputação.

No caso dos jornalistas, acredito que estas novas mídias ajudaram a dar vazão ao nosso desejo de escrever o que queremos, de opinar sobre os temas que nos interessam ou afligem, enfim, de ter nosso espaço para expressar anseios, angústias e alegrias, já que a ética profissional prega a “imparcialidade, neutralidade e objetividade”.

Para mim, antes da restrição, deveria vir a educação, tanto dos profissionais, quanto dos leitores.

O profissional sabe o que pode ou não divulgar em suas páginas pessoais e pode receber algum tipo de orientação extra, uma espécie de aula sobre boas maneiras na internet, antes de sofrer vetos. Se mesmo com a orientação ele agir de má-fé, furando seu próprio veículo ou denegrindo a imagem da empresa em que trabalha, deve ser punido.

E o leitor precisa entender a diferença entre Pessoa Física e Jurídica, porque assim como ele, fora do trabalho, o profissional de comunicação é uma pessoa com opiniões e sentimentos e com direito de expressá-los. Uma simples nota de rodapé em blogs e afins, como as que se colocam nos artigos, pode ajudar a fazer o leitor compreender isso:

As opiniões aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento da empresa XXXXXXXXXXXXXX.”

A web 2.0 inaugurou uma nova época, que nos permite ter uma série de facilidades, mais acesso à informação e um ambiente mais colaborativo, mas exige mudanças na forma de pensar e agir, antes que seus avanços sejam aniquilados pela patrulha ideológica.

As ferramentas vieram para trazer mais liberdade e aumentar a conexão entre as pessoas, não para transformar o mundo em um Big Brother. O bom senso e o respeito ao próximo devem ser nossos guias nesta nova era.

Deixe um comentário

Arquivado em Mídia

O valor da marca

Recentemente, tive a oportunidade de escrever uma reportagem sobre branding em empresas de saúde e percebi uma importante evolução na forma como os gestores têm olhado para as ações de marketing de suas organizações.

Se antes o departamento de comunicação e marketing era o primeiro a sofrer cortes em tempos de crise, hoje percebo que as empresas começam a vê-lo de forma mais estratégica e utilizá-lo para buscar respostas e soluções para estes momentos difíceis.

Numa conversa que tivemos há duas semanas, o diretor geral da MV, Luciano Regus, definiu bem esta mudança:

- Acho que as empresas passam por três ciclos. No primeiro, a marca é algo não planejado, é um lançamento do empreendedor, onde começa sua história. Quando a empresa ganha maturidade, ele tem condições de reposicioná-la melhor e o próximo patamar é a própria evolução da marca já consolidada.

As empresas que entrevistei caminham, cada uma à sua maneira, para esta evolução, seja renovando seu logotipo e estruturando a comunicação, seja contratando um gestor exclusivo de branding e utilizando mídias sociais para se comunicar com seus públicos. Elas já perceberam que marca não é luxo, mas um ativo tão ou mais importante do que outro qualquer que apareça em seus balanços.

Num tempo em que a data de validade do que é novo é cada vez mais curta e em que as cópias surgem no mercado quase que concomitantemente ao lançamento do original, é por meio da marca que estas companhias vão criar relacionamento com seus stakeholders.

Se conseguirem ir alguns passos além, vão também ser amadas e conquistar a fidelidade de seus clientes, construindo as “lovemarks” definidas pelo CEO mundial da agência Saatchi & Saatchi, Kevin Roberts.

Em uma frase, Kevin Roberts explica porque toda marca deve querer ser uma lovemark:

“De forma simples, as lovemarks inspiram lealdade além da razão.”

E sua empresa? Já tem ou está construindo sua lovemark?

P.S.: Você também pode ler este post no meu blog do portal Saúde Business Web.

Deixe um comentário

Arquivado em Saúde

O começo

Olá!

Vou começar falando um pouco sobre mim. Tenho 28 anos, sou formada em jornalismo, pela Universidade Metodista de São Paulo, e pós-graduada em Jornalismo Literário, pela ABJL, e em Comunicação com o Mercado, pela ESPM. Como jornalista e uma constante e curiosa estudiosa de comunicação, vou comentar neste espaço o que vejo na mídia. Aproveitando minha experiência na cobertura editorial do setor de saúde, acumulada em quatro anos de trabalho na IT Mídia, vou falar também sobre os movimentos e tendências deste setor. Conto com os comentários de todos vocês!

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized